terça-feira, janeiro 31, 2017

tem um inverno no meu verão


estava frenética. terrivelmente ansiosa. tremendo e chorando ao ver uma barata no meu apartamento. tanto que percebi o ápice da minha ansiedade. irritação. stress. estava colhendo ânsias atrás de ânsias. embarquei no verão querendo mais. é sempre o desejo. o calor, a festa, o sol, a rua. mas eu percebi então que eu precisava me recolher. eu precisava frear meus desejos, minhas ânsias, meu motor desenfreado. deixar de me pender em pessoas, engatar relações superficiais, arrancar meus vícios. precisava desacelerar meus sentimentos.

e o recolhimento é invernal. é um vento frio que bate no meu rosto enquanto estou pendurada na janela. é onde eu fico pensando na vida mas ignoro os rumos dela, e observo o que está fora, atrás do vidro. enquanto eu fico aqui, quieta, conservando meus sentimentos e renovando meus pensamentos. observando o movimento lá fora, calmo, sereno, tranquilo. observando o encanto do menino ao manusear meu leque azul. a disposição de um rapaz em recomeçar a vida e fazer planos. a boa vontade - mesmo sem tanta disposição - do senhor Aroldo, sem H, de me salvar de uma barata.

empatia. mais do que observar os outros, se colocar no lugar deles. sair de si, mesmo sem abrir a janela e a porta pra estar na rua aproveitando o verão. é se transportar de um jeito novo, mais consciente, mais maduro, mais encantador. é como meu post de julho passado que fala sobre contemplar, e respirar de novo. essa pausa não deve existir só de seis em seis meses. parar de querer. parar de procurar. tudo confunde e eu preciso descer do mundo e sentir a vida, na sua simplicidade e na sua essência.

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