segunda-feira, novembro 13, 2017

Plenitude

Aquela vaga
Rara
Sensação

De quando o coração está cheio
E a serenidade envolve seu espírito
Nem que seja
Por breves minutos
Preciosos minutos
Precioso tempo

Em que tudo se encaixa
Em que tudo está em paz
E o que estava fora de percurso
Já não importa

Porque a Gratidão ao Divino
Fala mais alto
E nossa alma está com Deus

Do sentir se amada

Eu não tenho as palavras,
Porque um vocabulário inteiro não seria suficiente pra dizer
O quanto eu Te agradeço por tudo que fizeste por mim.

Primeiramente dar me a Vida,
E através dela, receber tantas bençãos
Inúmeras bençãos,
Infinitas graças Vos dou
Porque Tu és o meu Rei,
És o meu Pai, Todo Poderoso,
Criador de tudo o que há
E que me Amou

Eu só quero retribuir esse Amor mais e mais
De forma que Tu se alegre
E que eu esteja sempre Contigo

Obrigada pelos bons e maus momentos
Todos eles que me permitem estar sempre próxima de Ti.


Adendo

Eu estou em lágrimas, olhando pela janela o céu noturno
Inúmeros prédios pelo horizonte
Tímidas estrelas gotejam pelo firmamento

A emoção vem à tona
Porque uma hora ela inevitavelmente viria.

Não tem como não reconhecer
A abençoada fase que estou vivendo
Depois de tanta, tanta coisa vivida.

A Vida, enfim, sempre será um ciclo de voltas e reviravoltas
E quando eu caí, eu olhei pro Céu
E hoje estou no alto
Olhando com fé disposta, renovada
A Fé que eu busquei,
A Fé pela qual interpelei

Pedi ao Deus supremo que interviesse por mim
Que florescesse novamente meu coração
E cá estou
Com Amor saltando aos poros
Com tímida e expoente gratidão

Eu Te Amo meu Deus
Eu Te amo querido Cristo

Por nunca, nunca me abandonar
E sempre me dar a força que eu preciso
Eu sou tão privilegiada
Tão amada
E quando eu sinto isso
Me sinto fortalecida
Porque o Amor pode ir além do que minha vã imaginação conhece.

quarta-feira, novembro 01, 2017

Pronta para a selva

A vida é um eterno aprendizado.
E eu aprendi que não deve se evitar os perrengues. Eles acontecerão de qualquer forma.
O importante é saber como lidar com eles.
Como a gente reage diante de qualquer dificuldade.
Parece besta, mas é que agora, nessa nova fase da vida, eu sei que tenho que estar preparada para o inevitável: a surra de perrengues que essa cidade promete trazer.

E não porque São Paulo é terrível e má. Ela é naturalmente cruel, mas tem amor nela sim.
E pra receber esse amor você tem que ser forte. Aguentar firme os trancos pra obter grandes louros.
É preciso saber isso e acordar com essa regrinha na cabeça todo o dia.
Tem que ter coragem.
Tem que ter vontade de viver a vida.
Tem que encarar. Botar o carão e o vozeirão à tona. Pra todo mundo ver e ouvir.
Tem que enfrentar a multidão. Tem que se fazer visto e notado.
E isso não é ruim não, mas é difícil pra quem tá acostumado a se esconder.
Tem que aparecer e não guardar nada nas primeiras impressões.
Porque São Paulo e TUDO em São Paulo só é apaixonante à segunda vista.
Já descobri nesse mês o quanto a Mooca pode ser apaixonante.
E quantas coisinhas lindas ela pode guardar em pequenos esconderijos em suas ruas pacatas e caseiras.
Os paulistanos são legais, mas principalmente aqueles que moram em regiões mais periféricas.
Tem muita gente prestativa e bacanuda por aí.
Mas tem muita gente reativa, porque Sampa promove isso: um exercício diário de paciência.
É metrô, supermercado, trânsito, processo seletivo... soma tudo isso à frieza visual e climática. Soma aos imprevistos, aos problemas pessoais.
Não, não soma. Abstrai. Leva a sério só o bem, o mal a gente ignora porque esse é um mal irrelevante, convenhamos. Dificuldades triviais, que passam e não significam nada propriamente em nossas vidas.
Olha só o textão que Sampa já me provocou. Porque essa cidade é provocadora. Ela quer conhecer todos os seus lados, pra saber se você é merecedor dela.
Eu espero ser. Vai ser um relacionamento conturbado esse, mas vou fazer de tudo pra dar certo <3

segunda-feira, junho 19, 2017

Ciclos

Depois de tanto tempo, volto a escrever.
Olho pra trás, vejo o que vivi nos últimos meses,
Sentimentos paradoxos que vivi,
E todas as reviravoltas que enfim chegaram.

Curioso tudo o que está acontecendo na minha vida agora
Pareço mesmo encerrar um ciclo de 2 anos

Quando penso na cidade que eu escolhi morar
E, por um segundo, penso em sair dela,
Me dou conta de que estou em Copacabana.

E o que é Copacabana?
Uma festa sinixtra onde eu entrei de penetra
E fui bem aceita
Percebo que, ainda que a cidade seja uníssona
Copacabana é única.

Depois da conversa com minha tia
Desço o elevador feliz,
Ele pára no terceiro andar
E dois cavalheiros bonitos entram, cumprimentam e puxam assunto comigo
Não basta o WTF inicial,
Uma série de WTFs se prosseguem.

Uma moradora de rua proclama a venda de um liquidificador por 50 reais
Enquanto ando, olho pra dentro do supermercado ao lado
O ator Guilherme Fontes no caixa
Na minha frente, um garoto toca violino
Uma farmácia que parece um supermercado
Conversas engraçadas no meio da rua
Mais moradores de rua
Lojas que fecham
Lojas que reabrem

Me dou conta de que o Rio é isso
Uma surpresa a cada esquina - ou mais de uma
E parece que ele não quer que eu vá embora

segunda-feira, maio 08, 2017

nunca esquecer

dos maus momentos
das turbulências
da tempestade
dos períodos ordinários da vida
das provas de fogo
esses são os momentos de plantio
os tempos que mais se aprende
os tempos que mais beneficiam
os tempos que mais curam

quarta-feira, março 29, 2017

Sobre pertencer

Antes de não querer ver, eu não enxergava. Eu estava completamente fora de razão, sem perceber. E quando me mostraram, eu não quis ver. E eu sei o momento que eu reneguei. Eu andava pela rua da praça, entrei no restaurante, pedi lomo e batata frita. A mulher mais velha me olhava. Eu saí, voltei a caminhar no frio, naquela cidade à qual eu acreditava não pertencer. Mas eu não enxergava que não era questão de pertencimento. Não era culpa da cidade. O problema estava dentro de mim. No meu estômago, que não aceitava aquela comida. Porque a falta de fome era oriunda da tristeza. E a minha tristeza não era oriunda daquele lugar. Não era oriunda do destino. Era oriunda da minha falta de percepção. Da falta de pertencimento a mim mesma. Quando eu aceitei ver, a angústia se foi e o alívio tomou conta do meu ser. Graças ao entendimento.

A vida me mostrou, com felicidade, que até mesmo quando a gente chega no fim da linha,
Ela pode te revirar do avesso e te surpreender.
Ela dá o tanto quanto ela tira
Só pra te fazer ver
Que você realmente não precisa de nada

Eu senti a desolação em Buenos Aires.
Eu senti a desolação em Santos.
Eu senti a desolação em São Paulo.
Eu senti a desolação em Barcelona.
Eu senti a desolação no Rio de Janeiro.

Eu senti o vazio nas grandes metrópoles.
E não vai ser o fato de mudar de cidade que ela vai desaparecer. Já vi os fatos.
O ambiente externo não pode modificar nada quando o problema é de fator interno.
E descobrir isso é o primeiro passo.


domingo, março 26, 2017

dos amores que não se morre



escuto wagner
com sua morte de amor de tristan e isolde
lembro a quem amei

vejo sua foto mais bonita
e nada dói absolutamente.

contemplo o amor que ainda resiste
mas agora não vacila

não morremos de amor
amamos muito
amamos a quem não nos ama
amamos muitos

e eu hei de ver a quem amo hoje
talvez não na sua foto mais bonita
mas a mais bonita que tenho
e terei o mais inexplicável prazer
de contemplá-lo numa recordação de amor indelével
sem sentir mais nenhuma agonia.

sexta-feira, março 17, 2017

2017

No começo, 2017 não tinha dito a que veio.
De repente eu descobri.

2017
O ano que eu vou aprender na marra.
2017
O ano que eu vou ser feliz na marra.


quarta-feira, março 15, 2017

Das coisas ordinárias

Photo by Peter Marlow/Magnum

Eu tenho pensado tanto na última semana e eu cheguei a tantas conclusões lições importantes que se eu escrevesse tudo o que eu sinto hoje seria melhor escrever um livro ao invés desse post. Então vou aproveitar a inspiração para escrever só uma fração do que eu penso hoje.

A vida segue com seus altos e baixos. E muitas vezes, quando a gente vive coisas extraordinárias, pensamos que é ali que devemos ficar. Eu vivi momentos extraordinários. Mas a vida segue com suas reviravoltas. Não devemos focar no que é passageiro. Devemos dar atenção ao que é fixo em nossas vidas. Aceitar que as circunstâncias ordinárias voltam, e também preenchem nossas vidas. Precisamos dar significado. E acho que isso é tudo por hoje.

domingo, março 12, 2017

inglorius days

antes, vivendo um ziriguidum eterno
com o perfume da tua pele impregnado em mim
você fez um carnaval no meu corpo e na minha vida
depois, passando pelo deserto da dor

quarta-feira, março 08, 2017

Desolação

O dia amanheceu âmbar.
Parecia que tinha começado o inverno ou a guerra.
Dormi mal. Se é que eu posso dizer que tive uma noite de sono.

Aquela sensação de novo.

Um golpe profundo no peito. Uma perda de todo o sentido. Um vazio abissal.
Pensei que não seria mais assim, por já estar tão calejada.
Mas, afinal, era só mais uma trégua.
Não aguento mais tanta trégua na minha vida.

Desolação.
A palavra assola tal como o peso do sentimento.

terça-feira, janeiro 31, 2017

tem um inverno no meu verão


estava frenética. terrivelmente ansiosa. tremendo e chorando ao ver uma barata no meu apartamento. tanto que percebi o ápice da minha ansiedade. irritação. stress. estava colhendo ânsias atrás de ânsias. embarquei no verão querendo mais. é sempre o desejo. o calor, a festa, o sol, a rua. mas eu percebi então que eu precisava me recolher. eu precisava frear meus desejos, minhas ânsias, meu motor desenfreado. deixar de me pender em pessoas, engatar relações superficiais, arrancar meus vícios. precisava desacelerar meus sentimentos.

e o recolhimento é invernal. é um vento frio que bate no meu rosto enquanto estou pendurada na janela. é onde eu fico pensando na vida mas ignoro os rumos dela, e observo o que está fora, atrás do vidro. enquanto eu fico aqui, quieta, conservando meus sentimentos e renovando meus pensamentos. observando o movimento lá fora, calmo, sereno, tranquilo. observando o encanto do menino ao manusear meu leque azul. a disposição de um rapaz em recomeçar a vida e fazer planos. a boa vontade - mesmo sem tanta disposição - do senhor Aroldo, sem H, de me salvar de uma barata.

empatia. mais do que observar os outros, se colocar no lugar deles. sair de si, mesmo sem abrir a janela e a porta pra estar na rua aproveitando o verão. é se transportar de um jeito novo, mais consciente, mais maduro, mais encantador. é como meu post de julho passado que fala sobre contemplar, e respirar de novo. essa pausa não deve existir só de seis em seis meses. parar de querer. parar de procurar. tudo confunde e eu preciso descer do mundo e sentir a vida, na sua simplicidade e na sua essência.

quarta-feira, janeiro 25, 2017

Reviravolta

E um belo dia de fim de novembro uma coisa qualquer aconteceu na minha vida. Uma qualquer que me fez desapegar de algo que já não me fazia mais feliz e na qual eu me arrastei por mais de um ano. Por medo e puro comodismo. Essa coisa que eu poderia só chamar de mudança, me fez abrir os olhos novamente pra beleza do novo. Já estava tão próximo. Eu pressentia. Eu estava me preparando. Uma cisma. Uma blusa amarela. Uma noite qualquer. Uma coisa qualquer. Uma simples pequena coisa. Uma grande reviravolta.

domingo, janeiro 08, 2017

Inquietação

Entrando numa fase muito boa, confusa e difícil. Soa estranho e é mesmo. É que hoje vivo um misto de sentimentos e não sei ainda distingui-los bem. A fase da mudança é ótima, mas traz muita dúvida e medo em meio ao caos e a felicidade.

Reconhecer a cidade e conhecer novos mundos deste pequeno grande mundo que é o Rio é sempre uma maravilha. Conhecer outros olhares, outras companhias, outros amores, outras complexidades, tudo tão bem vindo. Em simultâneo, descobrir o passado como algo que deve permanecer lá. Querer acolher tudo ao mesmo tempo, agora. Não saber o que quer. Se sentir só, mas não se sentir só. Tudo acontece junto e  em paradoxo para uma geminiana maluca. Sofrer quando tudo está misteriosamente bem. Sofrer ao pensar no futuro. Nos problemas que inevitavelmente virão. Sofrer por não saber das coisas boas que não espero. Não estar na TPM. Desejar insanamente o carnaval e uma chuva de verão como bálsamo escorrer pela minha cabeça.

E essa inquietação é o maior e único sentimento reconhecível que ecoa por minha entranhas. Isso, com sangue, xequebarismo e melodrama, mesmo. Porque nem eu me entendo, que dirá entender a vida, tão sábia e tão causadora de tretas e zoeiras possíveis e impossíveis. Tenho que aceitar e aguardar o que ela trouxer. Que seja 2017.