segunda-feira, junho 19, 2017

Ciclos

Depois de tanto tempo, volto a escrever.
Olho pra trás, vejo o que vivi nos últimos meses,
Sentimentos paradoxos que vivi,
E todas as reviravoltas que enfim chegaram.

Curioso tudo o que está acontecendo na minha vida agora
Pareço mesmo encerrar um ciclo de 2 anos

Quando penso na cidade que eu escolhi morar
E, por um segundo, penso em sair dela,
Me dou conta de que estou em Copacabana.

E o que é Copacabana?
Uma festa sinixtra onde eu entrei de penetra
E fui bem aceita
Percebo que, ainda que a cidade seja uníssona
Copacabana é única.

Depois da conversa com minha tia
Desço o elevador feliz,
Ele pára no terceiro andar
E dois cavalheiros bonitos entram, cumprimentam e puxam assunto comigo
Não basta o WTF inicial,
Uma série de WTFs se prosseguem.

Uma moradora de rua proclama a venda de um liquidificador por 50 reais
Enquanto ando, olho pra dentro do supermercado ao lado
O ator Guilherme Fontes no caixa
Na minha frente, um garoto toca violino
Uma farmácia que parece um supermercado
Conversas engraçadas no meio da rua
Mais moradores de rua
Lojas que fecham
Lojas que reabrem

Me dou conta de que o Rio é isso
Uma surpresa a cada esquina - ou mais de uma
E parece que ele não quer que eu vá embora

domingo, março 26, 2017

dos amores que não se morre


escuto wagner, com sua morte de amor de tristan e isolde
lembro a quem amei
vejo sua foto mais bonita
e nada dói
absolutamente.


contemplo o amor que ainda resiste
mas agora não vacila.


não morremos de amor.
amamos muito
amamos a quem não nos ama
amamos muitos.


e eu hei de ver a quem amo hoje
talvez não na sua foto mais bonita
mas a mais bonita que tenho
e terei o mais inexplicável de prazer
de contemplá-lo
numa recordação de amor indelével
sem sentir mais nenhuma agonia.

sexta-feira, março 17, 2017

2017

No começo, 2017 não tinha dito a que veio.
De repente eu descobri.

2017
O ano que eu vou aprender na marra.
2017
O ano que eu vou ser feliz na marra.


quarta-feira, março 15, 2017

Das coisas ordinárias

Photo by Peter Marlow/Magnum

Eu tenho pensado tanto na última semana e eu cheguei a tantas conclusões lições importantes que se eu escrevesse tudo o que eu sinto hoje seria melhor escrever um livro ao invés desse post. Então vou aproveitar a inspiração para escrever só uma fração do que eu penso hoje.

A vida segue com seus altos e baixos. E muitas vezes, quando a gente vive coisas extraordinárias, pensamos que é ali que devemos ficar. Eu vivi momentos extraordinários. Mas a vida segue com suas reviravoltas. Não devemos focar no que é passageiro. Devemos dar atenção ao que é fixo em nossas vidas. Aceitar que as circunstâncias ordinárias voltam, e também preenchem nossas vidas. Precisamos dar significado. E acho que isso é tudo por hoje.

quarta-feira, março 08, 2017

Desolação

O dia amanheceu âmbar.
Parecia que tinha começado o inverno ou a guerra.
Dormi mal. Se é que eu posso dizer que tive uma noite de sono.

Aquela sensação de novo.

Um golpe profundo no peito. Uma perda de todo o sentido. Um vazio abissal.
Pensei que não seria mais assim, por já estar tão calejada.
Mas, afinal, era só mais uma trégua.
Não aguento mais tanta trégua na minha vida.

Desolação.
A palavra assola tal como o peso do sentimento.

terça-feira, janeiro 31, 2017

tem um inverno no meu verão


estava frenética. terrivelmente ansiosa. tremendo e chorando ao ver uma barata no meu apartamento. tanto que percebi o ápice da minha ansiedade. irritação. stress. estava colhendo ânsias atrás de ânsias. embarquei no verão querendo mais. é sempre o desejo. o calor, a festa, o sol, a rua. mas eu percebi então que eu precisava me recolher. eu precisava frear meus desejos, minhas ânsias, meu motor desenfreado. deixar de me pender em pessoas, engatar relações superficiais, arrancar meus vícios. precisava desacelerar meus sentimentos.

e o recolhimento é invernal. é um vento frio que bate no meu rosto enquanto estou pendurada na janela. é onde eu fico pensando na vida mas ignoro os rumos dela, e observo o que está fora, atrás do vidro. enquanto eu fico aqui, quieta, conservando meus sentimentos e renovando meus pensamentos. observando o movimento lá fora, calmo, sereno, tranquilo. observando o encanto do menino ao manusear meu leque azul. a disposição de um rapaz em recomeçar a vida e fazer planos. a boa vontade - mesmo sem tanta disposição - do senhor Aroldo, sem H, de me salvar de uma barata.

empatia. mais do que observar os outros, se colocar no lugar deles. sair de si, mesmo sem abrir a janela e a porta pra estar na rua aproveitando o verão. é se transportar de um jeito novo, mais consciente, mais maduro, mais encantador. é como meu post de julho passado que fala sobre contemplar, e respirar de novo. essa pausa não deve existir só de seis em seis meses. parar de querer. parar de procurar. tudo confunde e eu preciso descer do mundo e sentir a vida, na sua simplicidade e na sua essência.

quarta-feira, janeiro 25, 2017

Reviravolta

E um belo dia de fim de novembro uma coisa qualquer aconteceu na minha vida. Uma qualquer que me fez desapegar de algo que já não me fazia mais feliz e na qual eu me arrastei por mais de um ano. Por medo e puro comodismo. Essa coisa que eu poderia só chamar de mudança, me fez abrir os olhos novamente pra beleza do novo. Já estava tão próximo. Eu pressentia. Eu estava me preparando. Uma cisma. Uma blusa amarela. Uma noite qualquer. Uma coisa qualquer. Uma simples pequena coisa. Uma grande reviravolta.

domingo, janeiro 08, 2017

Inquietação

Entrando numa fase muito boa, confusa e difícil. Soa estranho e é mesmo. É que hoje vivo um misto de sentimentos e não sei ainda distingui-los bem. A fase da mudança é ótima, mas traz muita dúvida e medo em meio ao caos e a felicidade.

Reconhecer a cidade e conhecer novos mundos deste pequeno grande mundo que é o Rio é sempre uma maravilha. Conhecer outros olhares, outras companhias, outros amores, outras complexidades, tudo tão bem vindo. Em simultâneo, descobrir o passado como algo que deve permanecer lá. Querer acolher tudo ao mesmo tempo, agora. Não saber o que quer. Se sentir só, mas não se sentir só. Tudo acontece junto e  em paradoxo para uma geminiana maluca. Sofrer quando tudo está misteriosamente bem. Sofrer ao pensar no futuro. Nos problemas que inevitavelmente virão. Sofrer por não saber das coisas boas que não espero. Não estar na TPM. Desejar insanamente o carnaval e uma chuva de verão como bálsamo escorrer pela minha cabeça.

E essa inquietação é o maior e único sentimento reconhecível que ecoa por minha entranhas. Isso, com sangue, xequebarismo e melodrama, mesmo. Porque nem eu me entendo, que dirá entender a vida, tão sábia e tão causadora de tretas e zoeiras possíveis e impossíveis. Tenho que aceitar e aguardar o que ela trouxer. Que seja 2017.