domingo, dezembro 18, 2016

iminência

o que posso dizer nessa iminência do fim, é que não está tão dolorido como pareceria ser. as inevitáveis despedidas, elas vêm, mesmo quando você as quer em silêncio. de qualquer forma, são tão naturais como o café que eu engulo invariavelmente quase todos os dias. Como a rotina irmã que parece solene, mas mata na hora da queda drástica, da mudança para outra rotina. aquela que a gente não quer ver, mas que está ali e te abraça querendo se apresentar, simpática. face da morte, cura pro renascimento. obrigada, eu que não te conheço, mas que vou me tornar sua amiga. tudo que é novo aparentemente dói, mas é um remédio de gosto exótico, que vai sendo bom aos poucos. ah essa doçura breve de querer mudar junto e conseguir enfim se sentir diferente e querer tudo diferente.

sábado, novembro 26, 2016

perpétuo

tem fogo no ser
ora queima de ternura
ora arde de loucura
os sentidos se confundem
e os eventos não fazem sentido mais
se tem problema que o coração não resolve
e tudo depende de como se vê
então eu vejo que não tem solução
pra essa tristeza funda e perene
não há porta de saída
e não há gente menos desvairada
que resolva
amanhã eu vejo de outro jeito
mas hoje é morte na certa
daquela que não cessa

não importa a paisagem

A bit of Paris

quando alguém planta um abismo no teu céu azul
aí você enxerga tudo com olhos de chuva

mas aí alguém pixa um ângulo obtuso
e você vê o novo de novo
tem disso às vezes

quarta-feira, novembro 23, 2016

Repetições

Histórias se repetindo. Praticamente a minha própria história. E essa lei cruel do eterno retorno só pode ser mudada de uma única forma: através de atitudes diferentes. Eu ainda não sei ao certo o que fazer, mas pude observar que tudo se repete outra vez. E eu hei de explorar novos caminhos, novas formas de desatar os nós da minha vida. Sinais tentam me esclarecer, até agora em vão. Mas vou partir em busca de novos métodos. Não vou desistir até me encontrar.

sábado, agosto 27, 2016

Ideia central


Descobri que posso ter várias paixões. Várias ao mesmo tempo. Que posso me relacionar com elas, viver com elas. Posso respirar minhas paixões e vivê-las intensamente, sem medo de regras ou imposições. Posso me preencher com minhas inspirações, amar meus musos, minhas musas, sem o peso da culpa. Posso sonhar acordada e nunca parar de trabalhar. Nunca deixar de produzir. Nunca deixar de escrever. E principalmente, nunca morrer de solidão. Eu nunca mais vou estar sozinha. O que uma pura e genuína ideia é capaz de fazer que não no mínimo mover todo o meu mundo.

sábado, julho 09, 2016

Repensando a vida

Julho veio mansinho e de repente deu um chega pra lá. Revirou minha cabeça, me fez pensar, pensar duas vezes, repensar. Após um ano de vida nova, numa cidade nova, a gente volta pra pensar se tudo está ok ou se precisa mudar alguma coisa de novo pra ficar 100%. Mas cem por cento nunca se está, e a roda da vida gira, gira sem parar até entrar nos eixos. Reparei que, mesmo que eu levasse a vida igual, parada, ela iria mudar de qualquer jeito. Porque a vida é mudança. Não, não estou dizendo que as coisas vão mudar agora, e o quê exatamente. Não sei absolutamente de nada. Mas sei que o futuro é em um segundo e que sim, tudo pode mudar sempre. Porque todos os dias a mudança é feita. Mesmo imperceptível, caminhamos pra mudar. Não mudar é morrer todo dia. Quantas escolhas eu já fiz no meio do caminho e quantas coisas eu vou plantar e colher? Sinais, circunstâncias, movimentos. Pensamentos se encaixam na minha mente de forma absurda e até assustadora de tão naturais e óbvios. Várias fichas caindo,  saltitando e eu não sei quais passos tomar. Mas eles serão tomados. Sonho versus destino. Dúvida versus medo. Incertezas. Escolhas. Eu nem sei se tenho escolha. O tempo dirá antes da possibilidade de escolha. O tempo. Mais ninguém dirá isso por mim. 


Lucy: Minha feliz descoberta de maio

sexta-feira, julho 01, 2016

Respiro

Às vezes muita coisa cansa. Muita informação. Muita comida. Muita gente. E nesses momentos de cansaço o andar rápido substitui passos leves. Dia de feira. Cheiro de fruta. Olho no olho. Céu nublado. Por vezes a contemplação é nossa maior amiga. Ela age na solidão alegre, fazendo a gente abrir os olhos da alma e valorizar cada gesto de simplicidade exposto pela natureza em meio ao mundo. É preciso um respiro às vezes. Ir com calma. Deixar o minuto passar singelo. Observar a gente humilde. Observar o tato. Parar um pouco. Ouvir o vento sobre as folhagens. Ouvir seu próprio passo na calçada. Vivenciar o momento sem pensar no amanhã. Como se não houvesse plano nenhum de futuro. Nenhum projeto. Nada. Mesmo que haja. Largar o telefone. Largar a preocupação. Largar o fone de ouvido. Largar os sentimentos ruins. Deixar fluir com o vento.

quinta-feira, junho 16, 2016

Ando tão em falta comigo

Pouco escrevo no blog. Remonto meu passado como de praxe faço - nostálgica que sou - e me deparo com uma garota que adorava escrever versos, dissertar sobre a vida, filosofar, observar o comportamento humano. A leitura e os filmes eram mais intensos; eu absorvia mais da história, da literatura e tantas coisas mais que aguçavam minha natural e espontânea curiosidade.

Hoje me encontro mais cansada. Em hábitos falidos e em uma rotina insossa, intelectualmente falando. Embora eu possa assumir a culpa no trabalho, já que escrevo praticamente o dia inteiro, ou então nos estudos, já que felizmente sigo estudando, ainda me faltam os estudos pessoais, aqueles que me interessam sempre e me fazem de certa forma mover o mundo e o meu próprio.

Creio que todos nós somos um pouco cientistas. E as minhas ciências foram deixadas de lado e, de repente, eu as quis retomar. Essa minha sede por conhecer vários mundos e me aprofundar em novos assuntos adormeceu sem eu saber como nem porquê.

A reflexão é um bom gatilho para o sacolejo. Hora de renovar os hábitos, ressuscitar os velhos bons comportamentos. E aqui finalizo, em um texto sem imagem, porque, vamos observar os tempos, estamos tão saturados de imagem. Nem sempre precisamos delas.

quarta-feira, junho 01, 2016

Eu ainda não falei de Seal


Depois de falar de tantos artistas da música que admiro, canções e clipes que eu curto, a lista realmente é extensa, mas esse cantor, quem me conhece sabe que não pode ficar de fora do Mercuriosidade.

A verdade é que eu adiei muito esse momento, mas sabia que ele ia acontecer. Aproveitei o embalo de reler o blog, pra escrever sobre o cantor mais incrível dos últimos tempos, o inglês Seal. Minha paixão pelo seu trabalho nasceu no final da infância, ouvindo um CD que a minha querida tia tinha dele. Era o seu segundo lançamento, e eu simplesmente fiz dele a minha casa. Ouvia toda hora, conhecia todas as letras, enfim, é um caso de amor eterno.


sábado, maio 28, 2016

As tendências viciantes e já exaustantes de 2016

O básico hoje é puro status: tem que ser Nike, adidas... 
A Carol Burgo explanou muito bem sobre essa "nuvem" que permeia a indústria da moda e acaba influenciando o estilo de muitas pessoas por um determinado período de tempo. Admiro quem rema contra a maré, mas confesso que sou adepta do grupo que segue o fluxo fashion, salvo - graças a Deus - algumas exceções. E é aqui que vou pontuar algumas dessas tendências que nos "pegaram" agora em 2016. 

terça-feira, maio 10, 2016

A graça pela natureza

Hoje eu fui surpreendida por uma borboleta azul. Quando nada parece ser importante numa terça-feira qualquer, um simples inseto  sobrevoou meu coração. Quando o vazio se instala, ou quando a solidão se faz companheira, a natureza traz calor ao espírito e também aprendizado.

O pobre inseto voava com dificuldade e pousou ao chão do estabelecimento onde eu almoçava. Com agonia tentava alçar voo, sem sucesso. Era o desespero daquele ser ínfimo, onde felizmente os brutamontes humanos não estavam passando. Eu assisti a todo aquele esforço aflita, querendo ajudar e com todo aquele meu tamanho, me sentindo impotente. Terminei de comer. Hora de ir embora. Ninguém por perto. Ela ainda ali. Queria muito ser a responsável pelo seu voo, pela sua liberdade. Pensei que ao me aproximar ela reagiria na hora, dando saltos. Fui e me agachei, ao lado daquele belo e minúsculo ser, exemplar tão raro de grandes asas do qual nunca me aproximei tanto, ofereci meu dedo indicador. Qual não foi minha surpresa, a borboleta logo me respondeu, erguendo a sua articulação em cima da minha pele. Ela aceitava ajuda. Ela esperava de mim. Por mais que meu corpo se mantivesse imóvel, meu coração se aquecia. Mas ela tinha dificuldades de levantar-se sobre os ares. Tentou o voo, mas caiu outra vez. Não hesitei em continuar na tentativa de ajudá-la.

Nisso um jovem apareceu e logo se prontou a ajudá-la também. Com toda a paciência do mundo, no meio da calçada, esperava a linda borboleta se apoiar nele para que ele pudesse conduzi-la ao ar. Eu assistia na torcida. Outra mulher também. Era o espetáculo da vida sobrevoando até os corações humanos, os mesmos que vivem apressados a correr pelas ruas sem saber onde pisam.

Dessa vez ela cambaleou, girou, tonteou, entrou em outros estabelecimentos, mas se encheu de força novamente e pegou ritmo. O garoto e eu víamos, complacentes, sua reerguida, que cada vez mais se distanciava de nós, a novas aventuras.

Dali eu vi que, o esforço, independente de como e quando, sempre é válido. Que até mesmo os pequenos seres estão ali, sem desistir de voar alto. E quando percebemos, observamos e contemplamos a grandiosidade da natureza, com toda a mais pura gratidão de fazer parte disso, tudo parece conspirar para que dê certo.

domingo, maio 01, 2016

Vento de maio



"Vai romper o mês de maio, não é hora de parar". Quanta coisa aconteceu de lá pra cá. E de algum modo, eu me sinto ainda mais forte. Tempo de nova transição. Tudo o que eu exatamente queria há 1 ano aconteceu. Sim, aconteceu. A mágica da vida existe. E não se pode deixar de lembrar. E nunca é hora de parar.

Novos projetos, novos caminhos. Não há de ser um mês fácil, mas o que espero dele é trabalho. Trabalho e cada vez mais aprendizado. O frio chegou, chegou com beleza, esperança, serenidade. Tem acontecido coisas que me tomaram numa reflexão profunda, sobre desapego, desprendimento, independência, amor e liberdade. Coisas que eu não apreendi totalmente e que eu devo reconsiderar. Estou contente com o rumo que as coisas têm tomado e com todas as coisas que têm me cercado. Grata por todos os sinais que têm ocorrido e por tão belas oportunidades que surgem. Grata até pelas coisas que perdi, nas quais pude ver que em nada me faziam falta. Tomando, aos poucos, real noção do que deve prevalecer.

Ainda sobre o mês, um dos tantos projetos é voltar a falar de assuntos diversos aqui nesse singelo blog. Meu lado jornalista volta e meia floresce, com vontade de discutir sobre comportamento, lifestyle, ideias novas e movimentos globais. Espero contribuir de alguma forma com um conteúdo bacana pra quem curte tal como eu sobre temas expressivos e afins. Vamos lá!

domingo, janeiro 17, 2016

Todos os caminhos dão pro mar


Eu fico diariamente me perguntando o que me encanta aqui? Não é uma só coisa, mas várias. Certamente uma das principais são as copas das grandes árvores, que sombreiam toda a rua, no caso a maior parte das ruas. Ver o verde por todo lugar ofuscando o concreto é uma de suas maiores características.

Ruas e paisagens diferentes também sempre me instigam. Descobrir novos estabelecimentos, lugarejos e becos com coisas simples e ao mesmo tempo sensacionais é algo que acontece todo o dia. 

E acho que o melhor disso tudo é que eu não me perco geograficamente. Sempre tem um metrô por perto que me deixa facilmente em casa, pois só têm duas linhas aqui na zona sul.

E a zona sul não é necessariamente uma zona rica. Ela é uma mistura de regiões mais caras com ruas bucólicas e outras mais humildes, morros no meio, muitos contrastes em cima do asfalto. No meio da confusão, você de repente descobre onde está. Porque aqui o que liberta é que todos os caminhos levam pro mar.