segunda-feira, abril 27, 2015

[eu não tenho um título legal pra inserir aqui]


Eu ganho dinheiro com as minhas palavras. Essa frase até assusta um pouco, não consigo pronunciar em voz alta. Mas é isso, na real, que acontece. O trocado que cai na conta todo mês, a bufunfa que eu saco no banco, é fruto das letras que eu digito, das combinações de palavras, das formações de frases e do sentido que eu dou ao texto. E se eu posso ganhar dinheiro só com palavras, o que parece não ser nada (mas é, um tanto), então eu não me sinto tão mal. Porque eu me sustento com o que eu crio, com o que eu invento. Vendo minhas ideias, convertidas muitas vezes em sonhos. E se eu tenho pés pra ir longe, mãos pra escrever de um tudo e um cérebro pra voar alto, então eu posso ir mais alto ainda.

O que eu quero dizer com isso é que faz bem dar uma cutucada em nós mesmos e avaliarmos as nossas próprias capacidades. Se nós chegamos até aqui, podemos ir ainda mais longe. [autoajuda:on] Não desistir de encontrar um novo caminho pra seguir, fazer novas escolhas, projetar novos sonhos, e não desanimar. porque a concorrência é grande, os cérebros são muitos, e você tem que buscar o tal do “diferencial” todo santo dia. O mundo pode não abrir portas sempre, mas a  vida prepara um espaço exclusivo pra cada um. O lance do “o que é meu tá guardado” e aquela “existe o tempo certo pra tudo” são os clichês mais absolutos que existem.

domingo, abril 26, 2015

Eu sou uma farsa


Toda vez que eu leio essas moças escritoras na internet, mais eu tenho certeza que sou uma farsa e não sei quem estou tentando enganar com essa coisa de trabalhar com a escrita. Dizem que isso é uma síndrome e acontece geralmente com pessoas talentosas e bem-sucedidas (pff) e como eu não sou nem uma coisa nem outra, acho que não é síndrome não, é falta de vergonha na cara, mesmo.

Eu já tive uns duzentos blogs que nunca vingaram porque eu deletava todos. O layout nunca estava bom o suficiente e eu achava que precisava do design perfeito, porque, oras, não adianta ter um texto fodástico se a pessoa que está lá não curtir o ambiente. No fim das contas nunca teve uma coisa nem outra e até hoje, quase trinta anos na cara, ainda insisto em ter um blog.

Talvez eu não desista nunca. Talvez um dia eu escreva algo realmente bom. Acho que até agora não deu certo porque eu sou uma geminiana (pronto, agora vou botar a culpa no signo) muito volúvel, que tá sempre mudando de ideia, sempre se enjoando das coisas. Ora eu quero escrever sobre como aplicar um batom escuro sem borrar os dentes, ora eu quero falar sobre como a terceirização é algo impensável e já estamos fodidos demais pra ter que lidar com isso agora, mas não. Parece não ter cabimento escrever sobre tudo num lugar só. Mas detesto a ideia de ter vários blogs e cada um com uma finalidade. Não dou conta nem de um, um blog tá bom, obrigada. Então dessa vez vou tacar um foda-se mesmo, layout o mais clean possível porque não enjoa (ou enjoa, mas como eu disse, whatever) e o assunto que vier na cabeça. mal escrito mesmo. começando a frase sem letra maiúscula.  com palavrão e tudo. parar de hesitar e deixar fluir. por mais que me dê aquele toc irresistível de apagar tudo. vou me segurar. tenho uma tática aqui pra não me arrepender tão cedo: ler mais.

sábado, abril 25, 2015

Um Rio em minha vida

Foi minha primeira ida ao Rio de Janeiro. Nunca na minha vida criei expectativas quanto à tal cidade maravilhosa, vai ver por isso gostei tanto. Pela primeira vez em muito tempo não tinha a sensação de alma renovada.

O Jardim Botânico foi um dos lugares que mais me conquistou. Eu perdi a hora lá dentro; sentia estar em comunhão com a natureza. O tempo era propício para passear e tirar fotos, pois fazia muito sol e o céu se vestia de um azul límpido.

Lá é repleto de fotógrafos com seus assistentes e equipamentos de estúdio, pois o que não falta é cenário lindo para compor ensaios com bebês, grávidas e casais.
Na primeira hora eu fui andando sem explorar muito. Fui fisgada pelas turísticas palmeiras imperiais e acompanhei uns macaquinhos pulando de galho em galho, achando que era basicamente isso que o parque reservava.

No entanto eu tinha tempo de sobra, pois ainda era parte da manhã e eu só deveria ir embora na hora do almoço. Percebi que tinha uma mapa comigo e qual não foi minha surpresa desvendar outros territórios e descobrir um cactário por lá. Eu amo cactos e suculentas, então senti que aquele lugar era uma parte da minha casa.



Aliás, o que eu mais gostei no Rio foi essa sensação de se sentir em casa. Os bairros que andei, como Copacabana, Flamengo, Jardim Botânico e Urca, por exemplo, transmitem aquela impressão caiçarista em cidade grande. Por mais que lá tenha de tudo, você sempre se sente perto da praia, o que permite que você saia de chinelo Havaianas pra qualquer lugar e qualquer esquina ou estabelecimento lhe é familiar e você conhece todo mundo. Aquele bairrismo típico e cheio de cultura, que faz todo morador ter boas histórias. É aquela bossa toda cantada, aquele banquinho amigo que você vai sentar. É o movimento cotidiano que não te entedia nem te estressa, porque, por mais que o trânsito esteja caótico, de uma forma ou de outra você é rodeado por copas de árvores que sempre te lembram que você está perto de casa.

E pra quem ama calor, natureza e tropicalismo feito eu, não tem como não se identificar, nem que seja um tiquinho. Não vou fantasiar, o Rio é caro pra cacete e tem muito carioca abusado. Assim como qualquer cidade tem suas qualidade e defeitos, não acho que o Rio seja pra qualquer pessoa. Bota uma dose de insegurança, bota. Você pode ter 1001 impressões. Mas quem tem coragem e quem tem fé na vida pode aprender a remar por lá.  É, eu quero um dia voltar e fazer do Rio meu lar.




domingo, abril 12, 2015

Livros que eu perdi


ao longo da minha pequena nobre vida perdi vários livros. livros que se perderam nas mãos de pessoas que também passaram por mim e nunca mais as vi. é como se cada uma delas levasse das minhas mãos pequenas histórias diferentes que eram como se fossem minhas e agora me escapam. histórias que eu nem me recordo mais.

um dos primeiros a ser esquecido nas mãos de alguém foi “100 Anos de Solidão”, o clássico de García Marquez. 100 anos não são nada quando se sabe que nem passando um século esse livro será devolvido.

outro que lembro menos ainda é o “Memórias do Casarão Branco”, de Edith Pires, sobre a Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos. esse passou em mais de quatro mãos e eu não sei se ele se encontra em Santos ou no Rio de Janeiro.

o terceiro foi o “À Procura da Felicidade”, aquele mesmo, que serviu de inspiração para o filme de mesmo nome, com o Will Smith. alguém à procura da sua o levou e, bem, eu espero que tenha encontrado…

embora eu tenha perdido todos os livros que li e não li, isso não é uma indireta para que essas pessoas me devolvam. não os quero de volta. não vou lê-los.

gosto de lembrar da forma como os perdi e, principalmente, da forma como não foi devolvido. esquecido numa gaveta, tal como esqueceram de sua dona, talvez, só talvez. 

gosto de imaginar como se tornaram aquelas histórias sob tais leitores. como se formou cada episódio, cada personagem, cada apreensão que um dia já foi capturada sobre mim. será que leram como eu li? como eu pretendi ler e chegar ao fim? chegaram, pois, ao fim da história?

talvez eu esteja lá pra essas pessoas, guardada no fundo de uma gaveta, como uma recordação. não triste, mas singela. não especial, mas suave e serena.

Elastic Heart - o clipe conceitual de Sia


À primeira vista, um videoclipe bizarro. Mas quem gosta de absorver uma história, interpretar, ao menos tentar entender, sabe que assistir apenas uma vez não basta. E são clipes como Elastic Heart que acabam se tornando os mais interessantes.