quinta-feira, dezembro 17, 2015

Hey Hey! Como eu virei fã dos Monkees - ou sentá que lá vem história

Monkees melhor que Molejo que é melhor que Beatles
Eu tinha 13 anos e até então nenhum contato com o rock. Minha vida era ouvir a Tribuna Fm com Ivete Sangalo, Laura Pausini, Sampa Crew (!). Na época eu também assistia Chiquititas, TV CRUJ e o que tinha no horário das 19 horas. Eu estava no quarto, controle remoto na mão, mudando de canal como toda noite àquele horário (sim, eu me lembro exatamente como foi, porque realmente reservei esse momento como inesquecível) enquanto era comercial de um desses programas infanto-juvenis e parei na TVE. Tinha um rapaz de cara engraçada falando engraçado em cima de um palco e eu fiquei só observando. Junto com ele tinha mais três caras fazendo palhaçada - dá pra notar pela qualidade da película que aquilo era uma série antiga, tipo anos 60 mesmo, e mesmo assim segui assistindo. Enquanto três faziam graça no palco, um loirinho ficava se escondendo na plateia. Eu achando aquilo extremamente curioso e mais interessante que Chiquititas. No final do programa eles cantavam uma canção com guitarra, bateria, baixo e pandeiro - é tinha um pandeiro - e meus olhos brilharam.

terça-feira, agosto 11, 2015

Faz 1 ano


Entre julho e agosto do ano passado, exatamente há um ano, eu passei por um crise pessoal, seguida de uma desilusão amorosa. Desilusões podem ser corriqueiras, inevitáveis e tristes, mas uma crise pessoal é muito pior. É algo que vai muito além disso. Você tenta dar vazão para sua própria vida, sem sucesso. Vai vagando, dia após dia, na busca de algum sentido. Porque, quando a crise surge, tudo que fazia sentido então deixa de fazer. Foi uma crise que demorou pra terminar, com o passar dos meses eu fui melhorando. Conheci uma pessoa que me ajudou muito a melhorar e a enfrentar outra etapa difícil da minha vida. Graças a ele eu fiquei bem. Mas fiquei só bem, não totalmente "recuperada". Eu não me sentia plena ao lado dele, eu só me sentia um pouco bem. Achava que, àquela altura do campeonato, eu não poderia me dar ao luxo de me sentir plena. Bastava eu me sentir melhor. E quando novamente a desilusão veio, para ambos, eu não voltei a ficar mal como antes, pois a crise já tinha ido embora. Mas a sensação de me sentir plena, como outrora, tinha sumido. Eu estava notoriamente infeliz. Não no estado de antes, mas eu simplesmente empurrava com a barriga.


quarta-feira, junho 24, 2015

¯\_(ツ)_/¯


Eu tinha um problema que eu não sabia que eu tinha. Apego. O mais irônico é que eu sempre curti esses posts todos sobre minimalismo que prega a lei do desapego, achando que tava desapegando legal, mas na real, só do material, mesmo.

E sobre os namorados, também tava sussa. Qualquer término, ok, sempre desapeguei bem, no geral. Mas não tinha reparado que tinha sobrado um apeguinho aí na minha vida que nunca soube muito bem como lidar. O apego das pessoas e amizades em geral.


sábado, junho 20, 2015

Buenos Aires - 'la durona'


"Jamais me passou pela cabeça escrever sobre isso. Mas a decisão se tornou completa naquela noite, quando eu assistia à expressão dos dançarinos no show de tango. Talvez aquele tenha sido o ponto alto da viagem e da inspiração. Todas as emoções que senti ao estar naquela terra pareciam embutidas ali, em cena. Minha primeira viagem, todas as expectativas na bagagem, e eu pude aprender muito com ela, mesmo que por três dias.

Uma das primeiras e grandes impressões que eu tive não foi tão feliz. Sempre conheci Buenos Aires como uma cidade linda que eu tive o prazer de nascer, mas que eu não conhecia de fato. Acreditava que esse lugar encantado me acolheria de braços abertos, pois lá eu nasci, pressupondo que com tudo me identificaria. Mas aos poucos percebi que eu andava por aquelas ruas como se fosse uma intrusa. Não, eu não lá pertencia."


Esse foram os primeiros parágrafos de um texto que escrevi em 2007, durante minha curta estada em família por Buenos Aires, cidade em que eu nasci e de onde eu saí com dois anos de idade. Graças a um concurso cultural que participei pude voltar, pela primeira vez, vinte anos depois, e registrei todas as perspectivas em quatro folhas de papel.

Naquela época - conto no texto - conheci um ruivo de cabelos compridos, bonito, rico, que me deu um belo chapéu. Infelizmente não me refiro ao acessório.

tão delicada e tão cheia de espinhos


Aquela foi a primeira vez que me senti desprezada. Tola. Despejei minhas mágoas na ponta do lápis e passei a contar minha patética história como se fosse um melodrama italiano. Mal imaginaria que a decepção viria a cavalo e com golpes mortais só na terceira viagem.

Recebi toda a rejeição e desrespeito da forma mais estúpida possível. Desabei. Mas me levantei. Todavia, independentemente dos meus imprósperos relacionamentos, o tratamento portenho em geral nunca foi lá muito bom. As pessoas, as ruas, os muros, os prédios, os shoppings, as esquinas, todos me maltratavam. O frio feria minha pele, coçava meus olhos, queimava minha boca. A noite me isolava. Os parques dos dias nublados também. Avenidas e estabelecimentos me amedrontavam. A capital adorava me abandonar por seus territórios. Os raros que me percebiam, tentavam, inutilmente, fazer algo para que eu ficasse bem. Foi assim, depois de várias tentativas de querer me sentir bem, que tirei minhas próprias (mesmo que injustas, mas não precipitadas) conclusões. Buenos Aires nunca me amou.

quinta-feira, junho 18, 2015

Por quê eu tô sumida


Meu aniversário começou com "A Change is Gonna Come" de Sam Cooke. Totalmente por acaso. Era meia noite, desliguei a tv e dormi ali no sofá. Foi um dia normal, mas eu senti naquele momento que aquele som era um prenúncio.

Passaram-se uns dias, eu já estava de férias, rolês por São Paulo, Rio de Janeiro, fazer as coisas que eu tinha planejado. Ao menos as coisas que eu considerava mais importantes. Foram dias de muita crise alérgica, muita dor de dente, dor de cabeça, frio, calor, medo, dúvida, preocupações, tudo ao mesmo tempo.

Apesar do pouco prazer que tirei proveito, eu fazia o que tinha que ser feito e desfrutava aquelas atitudes raras da vida. "Temos medos bobos e coragens absurdas". Eu tava muito nessa vibe.

E nessa tentativa constante de querer que as coisas dessem certo, eu ficava ali, sabendo que uma hora o leite ia ferver, e não desgrudava do fogão. Mas eu precisei me desligar, pra esperar que o leite fervesse na hora em que eu estivesse mais distraída. Bingo.

Cada passo que eu dava, mais eu sentia que as coisas que eu imaginava iriam acontecer. Não sabia ao certo quando, mas eu estava fazendo pra que elas acontecessem. E aí foi. Na hora mais certa que poderia ter sido. Nem antes, nem depois.

Afastada de casa por conta dessas prioridades, eu consequentemente me afastei do blog. Mas não ao ponto de dar notícias e dizer que as coisas estão encaminhando para que eu atualize o blog mais ainda, conforme os acontecimentos - e as experiências - vão acontecendo. É mudança.


domingo, maio 24, 2015

Minimalista: não uso, logo não tenho!



Eu poderia dar dicas de como você se livrar das roupas que você não usa, dos livros que você não lê, das tralhas que só acumulam pó. Mas o meu minimalismo já está tomando um espaço além do material, tá virando nóia.

Sobre minimalismo em si existem diversos posts falando sobre o assunto, de como é bom desapegar-se coisas materiais, etc, mas eu acho que o minimalismo é muito particular, ele se apresenta de pessoa para pessoa, como um universo de subjetividade. Eu por exemplo, gosto de ter poucas coisas. Poucas roupas, poucos acessórios. Porque (modo crazy on) me dá uma certa agonia ver um monte de coisas sem uso lá, jogadas no fundo da gaveta. Não curto caos. Não gosto de matéria sem movimento. Não gosto de saber que meu roupeiro contém uma poeira acumulada que eu não posso ver. Não curto a ideia de coisas ali, sem uso, enquanto elas poderiam ter muito mais proveito com outras pessoas. E pode acreditar: não, não é um sentimento altruísta, é um toc mesmo.

Sobre o minimalismo de roupas eu fortemente sugiro a leitura do Un-Fancy, uma blogueira que criou o método "cápsula" e só usa 37 peças no seu armário durante uma estação inteira. Esse é o desafio. Daí ela cria uma série de combinações criativas com as roupas básicas e combináveis que ela tem - e essa é a graça que eu acho da moda, saber combinar. Já escrevi sobre esse blog aqui.

Sobre minimalismo de casa, do cotidiano, eu sugiro a leitura do blog Minimalizo, que é um relato cotidiano da Ludmilla, um olhar bem apurado de como ter uma atitude minimalista nas pequenas coisas.

As premissas que eu uso para ser minimalista:

- Isso é realmente importante pra mim?(Pode ser importante, mas não pra mim)

- Eu vou sentir falta disso no futuro? Vou precisar disso em alguma hora? Se sim, posso recuperar na hora em que eu precisar?

Geralmente a resposta é não e eu sigo minha vida sem aquilo e sem maiores arrependimentos.

Além desse minimalismo todo, o minimalismo digital me fascina. O acúmulo cibernético é um fato  e a gente tem que aprender também a se livrar dessa tralha que aparentemente terá algum valor um dia, mas não. Nem aquele e-book que você acha que vai ler, nem aquele filme que você baixou ano passado pelo torrent. Desliga. não é o teu momento nem vai ser. Eu já não tenho trezentas mil fotos no HD (ok, mentira, essa é uma meta a longo prazo) e no computador mesmo eu não tenho pastas. Não tenho documentos. Está tudo no Drive (sim, eu confio no Google) até porque se eu perder não tem problema, minha vida não costuma ficar dentro de um computador. Informações importantes eu ainda guardo no papel mesmo. #ficaadica

Além disso aquelas mil lists #todo foram-se. Eu não anoto essas listinhas/lembretes em apps porque depender da tecnologia pra tudo acho um pouco demais. Gosto de ter uma cadernetinha na bolsa e, no máximo, anoto lembretes emergenciais no bloco de notas do celular mesmo.

Os favoritos também foram-se. Está tudo lá no Feedly, espero que ele não me abandone nunca, jamais, mas se perder tudo, ok, não vou morrer com isso. A gente aproveita pra reavaliar os sites que ainda estão no ar e que são realmente relevantes nessa altura do campeonato. Meus blogs favoritos estão listados no meu blog, acho sempre aqui. 

Não tenho várias pastas, abas, ícones ou navegadores no meu pc. Meu desktop lógico que também é minimalista, quanto menos coisa melhor. Não tenho um monte  de programas, só o que uso mesmo, nem pacote Office eu tenho mais.

A única coisa que eu ainda não aprendi a ser minimalista é na biblioteca de músicas. MP3 ainda é meu O2 e eu ainda baixo música como se não houvesse amanhã - e como se eu não esquecesse de vários hits que adormecem em algum momento da vida. Mas eu hei de aprender a me desfazer de hits como "Tenho" do Magal, "Barbie Girl" do Aqua ou "Don't Speak" do No Doubt. Ainda consigo.

Sem vídeos também. Uso o mesmo sistema de confiança que eu tenho com o Drive com o Youtube. Salvo os vídeos do coração com um "gostei" e já está de bom tamanho.

Tirando as músicas, hum, não tem mais nada no meu pc. Uma hora ele vai dar pau e eu vou trocá-lo sem maiores ataques de desespero, porque minha biblioteca musical também segue invicta no HD.

Eu amo a praticidade e o conforto emocional que o minimalismo me dá.

Como é a sua relação com a internet?


Você ama a internet. Eu amo a internet. Muitos dos nossos amigos também amam. A gente entra no e-mail pra ver se tem alguma coisa importante, entra no Facebook pra ver se tem alguma notificação ou post interessante, entra nos sites e blogs preferidos, assiste alguns videozinhos no Youtube, lê uns tweets e não deixa de tweetar também, nem que seja pra dar um olar. A gente também aproveita pra dar aquela googlada básica naquela dúvida que surgiu durante o dia e que, claro, senhor Google não vai hesitar em responder. E a gente vai conseguir assim dormir tranquila(o).

Mas sua relação com a Internet é saudável ou é uma relação passional? Você sabe usar a internet? Ué, tem o jeito certo ou errado de usar?

Olha, eu não tenho MBA em internet aplicada, mas eu acho que aprendi durante esses bons anos de convivência como ter uma relação bonita e duradoura sem tanto apego. Mas é um aprendizado constante, ainda mais no meu caso, que trabalho com ela. E ter um relacionamento no trabalho é fogo, cês me entendem, né?

Eu não vou fazer uma lista de mandamentos do usuário, mas queria relatar somente duas experiências muito bacanas com duas ferramentas que eu uso na Internet e definitivamente me ajudaram a ter uma visão mais prática da minha relação com a Internet. São dois sites que me ajudaram a, de certa forma, não me dispersar. Pois eis aí, amigos, o caminho da perdição na Internet: a dispersão.

A Internet nada mais é do que um universo de informações espalhadas sem critério algum. Você mergulha num caminho sem volta. Não há mapa, não há direção. A partir do momento que você clica num link aparentemente despretensioso, você pode parar num site coreano repleto de coisinhas fofas ou num site australiano dando dicas de como administrar seu dinheiro. E você simplesmente não consegue sair dali.

O que você tem que fazer é aquela pergunta clássica do conceito minimalista: "eu realmente preciso estar aqui?", "esse conhecimento vai mudar minha vida?" "eu poderia estar usando meu tempo para algo mais útil?"

De fato, conhecimento parece nunca ser demais. Mas você já se questionou alguma vez que você hoje tem a oportunidade de saber sobre tudo, mas o que realmente é importante que você saiba/veja/conheça?

A pergunta principal talvez seja: quais são as suas prioridades? Você poderia estar se aprimorando num novo idioma, num assunto que tem a ver com a sua carreira profissional, ou com o seu sonho que é viajar para determinado país e você estar montando seu roteiro e se programando financeiramente e estipulando um prazo para realizar esse projeto, enfim, algo que realmente fará diferença na sua vida. Fora da Internet.

E é aí que entram esses dois sites aparentemente simples e que você até deve conhecer. O primeiro é o Feedly, que para mim que sou jornalista me ajuda bastante, principalmente depois que o Google Reader morreu.

Para quem ainda não foi apresentado, ele é o melhor reader que sobreviveu, ou seja, você favorita os sites que você gosta de acompanhar (pode filtrar por categorias como notícias, moda, humor) e ver o que tem de novo todo dia. Ele é um ótimo otimizador de tempo. Você não tem que ficar clicando nos seus sites todo santo dia pra ver se tem algo de novo, quando você descobre no Feedly em dois segundos.

Daí você achou algo super legal que quer muito ler mas aquele não é um bom momento, até porque é textão. Nessa hora que vem o Pocket pra te salvar. Você clica no botão Add-on (estilo Pin do Pinterest) pra arquivar no site e ler depois. No fim do dia você não vai entrar em qualquer lugar. Você vai entrar no Pocket pra ler o que realmente quer/precisa.

Eu não uso mais ferramentas (eu sou minimalista, lembra) e quanto mais aplicativos e sites pra te ajudar a organizar - tem uns zilhões por aí - mais eu acho que vira uma bagunça, um "caos organizador/planejador".

O que queremos hoje da internet

Hoje em dia eu não vivo sem esses dois. São dois agregadores lindos que ajudam muito na curadoria de conteúdo e filtragem do que eu preciso. E a tendência hoje é sem dúvida a seleção de informação.

Para quem trabalha com conteúdo, a premissa básica da vez não é só preparar um bom conteúdo. É preparar conteúdo novo. Eis o desafio: falar sobre algo na internet que ainda ninguém falou - e que tenha procura.

Um site onde eu enxergo uma proposta bem bacana que parece ter visão de futuro é o Medium. Mas o desafio dele é enorme. Até porque à primeira vista ele não agrada ninguém. É um outro agregador que seleciona conteúdo. Ele faz a curadoria do que realmente é bom e disponibiliza, sem muitas ferramentas acessórias. Isso mesmo. É textão e só. Tem uma imagem ali outra aqui, mas não vive disso. O foco é realmente o conteúdo exclusivo e relevante. Mas eu acho que ainda está engatinhando. É difícil segurar uma plataforma que não vive de audiência nem de merchã. Se vive, eu não sei como funciona. Mas se o foco são pessoas que já não querem mais do mesmo, que é a pura informação, mas sim um conteúdo mais específico e aprofundado, tem alguma chance de dar certo. Porque acredito que essa será a vontade, daqui a alguns anos (na verdade a necessidade já existe), da maioria dos usuários que estão na Internet para ler ou aprender coisas novas. Eles vão precisar de foco. 

Mas como eu disse, não basta o texto ser bom. Não vai adiantar nem ele ser fodasticamente bom enquanto ele for repetitivo. Enquanto tiver outro texto tão fodasticamente bom falando sobre a mesma coisa. O conteúdo do futuro vai trazer aprendizado, vai precisar ser um pouco enciclopédico, vai precisar ter uma vibe acadêmica. E ainda sim ser mais simples, mais didático.

E essa é apenas uma perspectiva sobre conteúdo. A relação que temos com o consumo de música, vídeos, também tende a mudar, como já mudou. É só se dar conta de que paramos de baixar música pra viver de Spotify (o que não é o meu caso), quando a maioria dos sites pra "baixar MP3" simplesmente sumiram.

Bom, essas são as minhas suspeitas. Já parou pra pensar no que você espera ou vai esperar da Internet daqui alguns anos? Talvez esse assunto renda mais alguns posts.

Playlist pra segunda nascer feliz


Eu não sou de fazer isso. Procurar ouvir músicas que eu não conheço de artistas que eu não conheço. Só as ouço quando elas vêm até mim, por acaso. Na trilha sonora de um filme ou de um comercial ou da sonoplastia de um programa que estou assistindo. Vou no Shazam na fé e feliz, e acabo conhecendo e encontrando uma nova música pra minha biblioteca. Mas esta semana realizei uma nova experiência, ouvi umas playlists no Spotify e salvei aquelas que meu ouvido curtiu. Mas vou ser bem sincera, de tudo que ouvi, uns 8% me cativou. Ainda tá difícil encontrar música realmente boa no Spotify. Oh! Fato. Sou chata pra cacete.

Mas ó, encontrei várias coisinhas legais não só lá e resolvi colocar aqui uma sugestão de playlist bem animada pra quem não tá muito disposta pra começar a semana. E, com licença, mas eu vou começar a listinha com a melhor descoberta dos últimos tempos - não só minha, mas com certeza a de muita gente ultimamente, já que a banda se apresentou por aqui recentemente e rolou muito burburinho na web. A deliciosa Jungle! Vem dançar, vem!

Busy Earnin - Jungle





Geronimo - Sheppard



On & Off - Findlay



Paper Heart- AVAN LAVA



Bout You - Rainy Milo



Leve - Mahmundi



Time - Jungle



Eletric Bones - Findlay



Hold Back The River - James Bay



LSD - A$AP


quinta-feira, maio 21, 2015

La La La - Um Mágico de Oz Boliviano?


Mais um videoclipe que merece a atenção dos que gostam de absorver todo o sentido de uma música. Esse é mais um daqueles estranhos num primeiro momento e por isso mesmo nos instigam por querer encontrar um significado, mesmo que sejam vários deles.

quarta-feira, maio 13, 2015

Da série diquinhas pra vida


Alô você meu amigo que vive no mesmo mundo que o meu, trabalha duro e vive cercado de contas pra pagar. Nós sabemos que o "sistema" não é fácil, por isso pra sobreviver nessa terra capitalista precisamos ter os olhos bem abertos e  os ouvidos apurados. É desejável ter voz, também.

Neste episódio da série "diquinhas pra vida" eu vim falar de banco. É, esse querido sistema que acomoda nosso dinheirinho todo o mês, mas que avacalha com a gente na burocracia, nas taxas, nas filas, na porta giratória e no atendimento. Eu não sei qual é o seu banco, mas o meu banco também avacalha, e muito, na falta de comunicação.

O problema é que o meu banco só me avisa o que a eles convêm. Eles me avisam todas as vantagens que eu tenho como cliente, todos os pacotes de benefícios, etc, mas não avisam quando eu "migro" de categoria. "Parabéns! Agora você é cliente vip!"

E quem disse que eu quero ser vip? Eu sou meio besta, mas eu sei muito bem que cliente vip paga mais por serviços vip. Eu não fui avisada que minha conta seria migrada pra eu pagar mais por ela. Eu deveria estar feliz por isso? Eu não sou obrigada e nem estou disposta. Agradecida.

Relutei tanto pra baixar a tarifa mensal da minha conta - que há anos ignorei. Um dia, me dei conta (conta, tun-dunts) que a taxa tava meio absurdinha. A gente só percebe quando o dinheiro faz falta no bolso, não é mesmo? Aí eu comecei a refletir. Poxa, eu não tenho cartão internacional, não tenho talão de cheque, não faço nada além de sacar dinheiro aqui, por que eles tão me cobrando esse valor? Tcharam, fui pesquisar. Haviam vários valores de taxa. E a minha, claro, deveria ser a mínima. Mas o banco não dá a mínima (tun dun tsssss) e coloca o valor alto, mesmo. Quais são os valores da empresa?

"Vamos cobrar isso. Se o cliente não reparar, segue desse jeito que a gente ganha mais"

Avisar pra quê, não é mesmo? O cliente não tá reclamando. Tá certinho, banco que capricha na propaganda da tv. Fui reclamar e, em dois minutinhos, taxa tava alterada. Comecei a pagar menos que a metade do que eu pagava. Pelo menos meus gerentes são ágeis.

Só que quando minha conta foi migrada - sem me avisarem - descobri pelo meu ex-futuro-gerente-vip que eu poderia, inclusive, não pagar nada, porque tenho saldo x na poupança. E a partir daquele valor x, eu era isenta da tarifa da minha conta. U-huuuu!

O meu banco avisa isso por cartinha junto com a tarifa do meu cartão? Avisa através dos seus sms semanais? Avisa pelo site do banco?! Nãão! Eles não avisam de jeito nenhum! Você tem duas opções: ou vasculhar os segredos da terra, do Universo e tudo mais (de repente entrando até no submundo da web) ou ter gerentes muito legais pra te dar um toque - isso depois de você ter feito um questionário de perguntas, claro.

Por isso você, amiguinho, que me lê, independentemente do seu banco, fique esperto! Leia as letrinhas minúsculas dos contratos, entre no site do seu banco, seja amigo dos gerentes, questione tudo o que você paga, peça a nota fiscal. É muito pouco o dinheiro que a gente recebe naquela singela continha, mas é muito o que eles retiram sem a gente perceber. 

sábado, maio 02, 2015

Cheiro de Tinta


Alô você que caiu de pára-quedas em mais um blog qualquer, deixa eu te situar: esse post aqui é sobre loucuras. Quem não tem as suas? Eu inclusive tenho muito orgulho das minhas, porque sempre remetem a sensações. Eu não lembro de todas agora, mas lembro das principais e vou atualizando quando redescobrir outras. É através das loucuras que a gente conhece melhor uma pessoa, né? Então nada desses x fatos sobre mim. Vamos lá pra mais uma daquelas listinhas adoráveis e essa muito mais esquisita:

Eu gosto de cheiro de tinta

Cheiro de tinta. Eu sou muito incompreendida nesse quesito. Toda vez que eu passo por um local com aquele cheiro de tinta fresca eu me sinto feliz fico extasiada. Reparem: a pessoa não gosta simplesmente. Ela tem um súbito de emoção ao sentir aquele cheiro forte que a maioria repele; com cheiro de verniz é assim também. E eu tenho uma explicação que não é científica, mas psicológica. Quando eu era pequena, minha família renovava a pintura das paredes e passava verniz nos móveis perto do Natal. Eu provavelmente devo associar até hoje, lá no meu inconsciente (ou sub, sei lá) o cheiro desses produtos à época mas feliz do ano pra mim.

Eu gosto de barulho do ventilador

Também deve ter um fundamento histórico-psicológico. Eu amo o  fim do ano e tudo que vem junto com ele, incluindo Natal, verão e barulho de ventilador. O barulho do motorzinho me dá uma sensação de liberdade, da quentura gostosa que vem das noites arejadas de verão, do vento noroeste. É só isso e é simplesmente muito doido.

Eu não gosto de açaí

Agora eu exagerei. Detestar algo que todo mundo venera. Como assim você não gosta de açaí? Mas açaí é divino, é saudável, é saboroso, geladinho, etc, etc, etc. Não. Na primeira colherada qualquer vestígio de fome morre. Não dá pra prosseguir com algo tão enjoativo e sem graça. Sem vontade de viver. Ora, se o mundo permite que eu coma pizza, sorvete, chocolate e afins, porque eu vou tomar justamente açaí? A vida é muito curta pra tomar açaí.

Eu vejo bolinhas amarelas quando fecho os olhos

Vou tentar explicar como são as bolinhas que eu vejo. Eu fecho os olhos. Fica tudo preto, certo? Mas a gente não vê. Só tá escuro, a gente não tá olhando pra nada. Mas você já experimentou "olhar" com os olhos fechados, virando os olhos pra um lado, por exemplo? Então. Eu vejo essa bolinhas quando eu tô "olhando" pro nada, com meus olhos fechados. É como se lá, no fundo (que fundo?) surgissem milhares de bolinhas amareladas extremamente minúsculas, caminhando, em fileiras, certamente pro nada também. É isso. Não sei descrever melhor essa minha loucura-mor.

Gosto do barulho do sapato na rua pedregosa

Ok, cheguei num nível que você já deve estar com medo. Eu mesma me pego achando essa minha mania super curiosa. Não é uma mania na verdade, porque eu não procuro sair na rua pra fazer isso. Mas quando isso acontece, e não é lá muito frequente, eu até tiro o fone do ouvido se eu estiver escutando música. É simples. É quando estiou e a calçada ainda está molhada da chuva e tem um pouco de terra e algumas pedrinhas na calçada, provenientes de obra ou ventania. E seu sapato/bota vai lá e pisa. E a rua tá vazia e você só escuta isso. Aquele som é inigualável. Sei lá, parece que você está dentro de uma série dramática na qual você é o protagonista pensativo, pensando qual melhor rumo da vida tomar. Se tocar Beatles ao fundo, numa casinha por perto, é melhor ainda, vai por mim. Melhor-viagem-na-maionese-da-vida.

As valsas da vida



Eu não fui criada como uma princesa. Mas eu mesma me criei assim. Ouvia musiquinha clássica, lia contos de fada, colocava os vestidinhos pomposos nas bonecas, sonhava alto. Até hoje sonho em conhecer castelos. De verdadinha. Escrevi uma história de princesa. Escrevi mesmo. Essa história só podia terminar mal, já que, embutida ali estava a minha doce ingenuidade de acreditar haver um príncipe na vida real. Não bem acreditar nessa patética sentença, mas encontrar lá no fundinho do peito aquela crença de que existe alguém no mundo que vai fazer parte da minha vidinha, assim, por muito tempo, e de repente, até o fim dela.

Então #somostodasprincesas? Não sei, só sei que não tô mais procurando um homem perfeito (é, eu procurava), porque eu não sou perfeita (que grande descoberta). Porque, pasme, quase senhoras como eu dizem não acreditar num príncipe, mas ainda o procuram. Jovens e maduras mulheres buscam o rosto perfeito, o corpo sem pança, a cabeça com muito cabelo, o tórax liso, os dentes brancos e alinhados, o português correto, a conta bancária bem preenchida, o não-fumante, o apaixonado, o não-meloso, o inteligente que sabe-de-tudo-um-pouco, o cara de atitude que resolve as paradas, o bom de cama, o homem que entende a mulher e sabe o que ela quer, o homem fiel. De preferência que torça para o mesmo time. Que tenha um trabalho ok, não tenha que viajar. Que tenha amigos legais mas não fique saindo toda hora com eles. Que curta o mesmo tipo de música. Ah, e nos dias de hoje, que saiba cozinhar. Que não tenha um temperamento forte. Mas que não seja tranquilão demais. Que seja tudo no ponto certo. Porque, quanto menos entrave, melhor. Pra vida ficar um pouco mais fácil.

Mas dessa lista aí eu quase não assinalo mais a maioria dos requisitos. Porque ninguém disse que ia ser fácil mesmo. Tem que ter só três coisinhas que eu descobri: caráter + afinidade + química. Pronto. Se o cara é gente boa, se dá pra conversar sem se desentender tanto (o que inclui ter planos de vida afins) e ainda rolar atração física, tá tudo certo. Porque nesses três itens todo o resto se embute. O que faltar, se ajeita. Porque né, o que faltar, a princesa aqui que não é nenhuma princesa (inúmeros quesitos me faltariam se caras fizessem listinhas), também vai ter que fazer por merecer na relação, que não precisa ser um conto de fadas, mas VAI QUE rola o tal final feliz. Final feliz esse que vem com um monte de perrengue e chateação, porque plebeia e plebeu (nem príncipe nem sapo, porque eu também não sou obrigada) têm que trabalhar, oras, inclusive na relação. Relação esta que é feita de duas pessoas que precisam se esforçar para dar certo. De forma igual. Sem fantasia. Simples assim.

sexta-feira, maio 01, 2015

Como não deixar a peteca cair

Toda a conquista começa com a decisão de tentar
Eu queria que isso fosse mesmo um tutorial, mas é só mais uma reflexão. Às vezes não adianta, a vida fica uma barra por mais que você se esforce para ter dias alegres. Sua vida pausa por mais que você tente sair do lugar. Você tenta mudar o seu humor. Mudar suas atitudes. E é aí que ela começa a desempacar. Acontece que ela não desliza, ela engatinha, mesmo. Todo recomeço é um processo de extrema paciência. 

Toda nova tentativa exige força para subir degraus bem mais altos, como se fosse entrar na academia, mesmo. Começar é sempre mais difícil, e ver qualquer resultado demanda de um tempo longo de contínuo sacrifício. É se esforçar um pouquinho a cada dia. Todo o dia. Isso é não deixar a peteca cair. Por mais que o exercício seja repetitivo ou a carga aumente. É o tal do #focoforçaefé, não tem outro jeito.

Claro que bate um desânimo. Sempre existem circunstâncias externas que parecem induzir a gente à desistência. “Não adianta, sua boba, tudo vai continuar igual”. Essa vozinha chata que nos aperreia não pode nos influenciar. A corda sempre vai puxar de um lado. Por isso que, além de alerta, é preciso redobrar os esforços nessas horas. Você se sente sozinha, cansada, descontente. Mas lembra, é um processo! Se você tem uma meta lá na frente e tá correndo atrás disso, é assim mesmo que funciona. Só você pode se incentivar. Assistir um vídeo estimulante, ler frases de incentivo, de superação, criar esse hábito de autoajuda mesmo. Ouça músicas alegres, com letras igualmente motivadoras. Aproveite todo esse conteúdo positivo que é acessível na internet. Ele é ótimo pra quando não tem ninguém do teu lado pra te apoiar. Entra no Pinterest, viaja naquilo tudo que você tá buscando pra si. Faz um ritual tipo #osegredo, sabe. Viaja na maionese. E segue tua luta. Seja estudando, procurando emprego, mudando de cidade. 


Todo ano eu sempre me motivei a alguma coisa diferente, a algum projeto. Só que na maioria das vezes minha motivação era um amor platônico ou uma viagem. Só que eu não me tocava de que nada disso fazia sentido na minha vida. Eu tinha que reavaliar as minhas prioridades, o que eu queria pra já. E o que eu quero pra já? Eu quero construir coisas. Então pra isso só ralando, mesmo. Então, se você quer caminhar rumo aos seus sonhos, projete, construa, porque há sempre muito trabalho da nossa parte para atingirmos todas as nossas almejadas conquistas. Não desanima, bora, olha pra frente!

segunda-feira, abril 27, 2015

[eu não tenho um título legal pra inserir aqui]


Eu ganho dinheiro com as minhas palavras. Essa frase até assusta um pouco, não consigo pronunciar em voz alta. Mas é isso, na real, que acontece. O trocado que cai na conta todo mês, a bufunfa que eu saco no banco, é fruto das letras que eu digito, das combinações de palavras, das formações de frases e do sentido que eu dou ao texto. E se eu posso ganhar dinheiro só com palavras, o que parece não ser nada (mas é, um tanto), então eu não me sinto tão mal. Porque eu me sustento com o que eu crio, com o que eu invento. Vendo minhas ideias, convertidas muitas vezes em sonhos. E se eu tenho pés pra ir longe, mãos pra escrever de um tudo e um cérebro pra voar alto, então eu posso ir mais alto ainda.

O que eu quero dizer com isso é que faz bem dar uma cutucada em nós mesmos e avaliarmos as nossas próprias capacidades. Se nós chegamos até aqui, podemos ir ainda mais longe. [autoajuda:on] Não desistir de encontrar um novo caminho pra seguir, fazer novas escolhas, projetar novos sonhos, e não desanimar. porque a concorrência é grande, os cérebros são muitos, e você tem que buscar o tal do “diferencial” todo santo dia. O mundo pode não abrir portas sempre, mas a  vida prepara um espaço exclusivo pra cada um. O lance do “o que é meu tá guardado” e aquela “existe o tempo certo pra tudo” são os clichês mais absolutos que existem.

domingo, abril 26, 2015

Eu sou uma farsa


Toda vez que eu leio essas moças escritoras na internet, mais eu tenho certeza que sou uma farsa e não sei quem estou tentando enganar com essa coisa de trabalhar com a escrita. Dizem que isso é uma síndrome e acontece geralmente com pessoas talentosas e bem-sucedidas (pff) e como eu não sou nem uma coisa nem outra, acho que não é síndrome não, é falta de vergonha na cara, mesmo.

Eu já tive uns duzentos blogs que nunca vingaram porque eu deletava todos. O layout nunca estava bom o suficiente e eu achava que precisava do design perfeito, porque, oras, não adianta ter um texto fodástico se a pessoa que está lá não curtir o ambiente. No fim das contas nunca teve uma coisa nem outra e até hoje, quase trinta anos na cara, ainda insisto em ter um blog.

Talvez eu não desista nunca. Talvez um dia eu escreva algo realmente bom. Acho que até agora não deu certo porque eu sou uma geminiana (pronto, agora vou botar a culpa no signo) muito volúvel, que tá sempre mudando de ideia, sempre se enjoando das coisas. Ora eu quero escrever sobre como aplicar um batom escuro sem borrar os dentes, ora eu quero falar sobre como a terceirização é algo impensável e já estamos fodidos demais pra ter que lidar com isso agora, mas não. Parece não ter cabimento escrever sobre tudo num lugar só. Mas detesto a ideia de ter vários blogs e cada um com uma finalidade. Não dou conta nem de um, um blog tá bom, obrigada. Então dessa vez vou tacar um foda-se mesmo, layout o mais clean possível porque não enjoa (ou enjoa, mas como eu disse, whatever) e o assunto que vier na cabeça. mal escrito mesmo. começando a frase sem letra maiúscula.  com palavrão e tudo. parar de hesitar e deixar fluir. por mais que me dê aquele toc irresistível de apagar tudo. vou me segurar. tenho uma tática aqui pra não me arrepender tão cedo: ler mais.

sábado, abril 25, 2015

Um Rio em minha vida

Foi minha primeira ida ao Rio de Janeiro. Nunca na minha vida criei expectativas quanto à tal cidade maravilhosa, vai ver por isso gostei tanto. Pela primeira vez em muito tempo não tinha a sensação de alma renovada.

O Jardim Botânico foi um dos lugares que mais me conquistou. Eu perdi a hora lá dentro; sentia estar em comunhão com a natureza. O tempo era propício para passear e tirar fotos, pois fazia muito sol e o céu se vestia de um azul límpido.

Lá é repleto de fotógrafos com seus assistentes e equipamentos de estúdio, pois o que não falta é cenário lindo para compor ensaios com bebês, grávidas e casais.
Na primeira hora eu fui andando sem explorar muito. Fui fisgada pelas turísticas palmeiras imperiais e acompanhei uns macaquinhos pulando de galho em galho, achando que era basicamente isso que o parque reservava.

No entanto eu tinha tempo de sobra, pois ainda era parte da manhã e eu só deveria ir embora na hora do almoço. Percebi que tinha uma mapa comigo e qual não foi minha surpresa desvendar outros territórios e descobrir um cactário por lá. Eu amo cactos e suculentas, então senti que aquele lugar era uma parte da minha casa.



Aliás, o que eu mais gostei no Rio foi essa sensação de se sentir em casa. Os bairros que andei, como Copacabana, Flamengo, Jardim Botânico e Urca, por exemplo, transmitem aquela impressão caiçarista em cidade grande. Por mais que lá tenha de tudo, você sempre se sente perto da praia, o que permite que você saia de chinelo Havaianas pra qualquer lugar e qualquer esquina ou estabelecimento lhe é familiar e você conhece todo mundo. Aquele bairrismo típico e cheio de cultura, que faz todo morador ter boas histórias. É aquela bossa toda cantada, aquele banquinho amigo que você vai sentar. É o movimento cotidiano que não te entedia nem te estressa, porque, por mais que o trânsito esteja caótico, de uma forma ou de outra você é rodeado por copas de árvores que sempre te lembram que você está perto de casa.

E pra quem ama calor, natureza e tropicalismo feito eu, não tem como não se identificar, nem que seja um tiquinho. Não vou fantasiar, o Rio é caro pra cacete e tem muito carioca abusado. Assim como qualquer cidade tem suas qualidade e defeitos, não acho que o Rio seja pra qualquer pessoa. Bota uma dose de insegurança, bota. Você pode ter 1001 impressões. Mas quem tem coragem e quem tem fé na vida pode aprender a remar por lá.  É, eu quero um dia voltar e fazer do Rio meu lar.




domingo, abril 12, 2015

Livros que eu perdi


ao longo da minha pequena nobre vida perdi vários livros. livros que se perderam nas mãos de pessoas que também passaram por mim e nunca mais as vi. é como se cada uma delas levasse das minhas mãos pequenas histórias diferentes que eram como se fossem minhas e agora me escapam. histórias que eu nem me recordo mais.

um dos primeiros a ser esquecido nas mãos de alguém foi “100 Anos de Solidão”, o clássico de García Marquez. 100 anos não são nada quando se sabe que nem passando um século esse livro será devolvido.

outro que lembro menos ainda é o “Memórias do Casarão Branco”, de Edith Pires, sobre a Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos. esse passou em mais de quatro mãos e eu não sei se ele se encontra em Santos ou no Rio de Janeiro.

o terceiro foi o “À Procura da Felicidade”, aquele mesmo, que serviu de inspiração para o filme de mesmo nome, com o Will Smith. alguém à procura da sua o levou e, bem, eu espero que tenha encontrado…

embora eu tenha perdido todos os livros que li e não li, isso não é uma indireta para que essas pessoas me devolvam. não os quero de volta. não vou lê-los.

gosto de lembrar da forma como os perdi e, principalmente, da forma como não foi devolvido. esquecido numa gaveta, tal como esqueceram de sua dona, talvez, só talvez. 

gosto de imaginar como se tornaram aquelas histórias sob tais leitores. como se formou cada episódio, cada personagem, cada apreensão que um dia já foi capturada sobre mim. será que leram como eu li? como eu pretendi ler e chegar ao fim? chegaram, pois, ao fim da história?

talvez eu esteja lá pra essas pessoas, guardada no fundo de uma gaveta, como uma recordação. não triste, mas singela. não especial, mas suave e serena.

Elastic Heart - o clipe conceitual de Sia


À primeira vista, um videoclipe bizarro. Mas quem gosta de absorver uma história, interpretar, ao menos tentar entender, sabe que assistir apenas uma vez não basta. E são clipes como Elastic Heart que acabam se tornando os mais interessantes.

sexta-feira, março 27, 2015

Se a vida fosse um dislike


da série cenas da vida de uma criança que se tornam emblemáticas na vida adulta

eu devia estar no pré, no jardim, na transição de um pro outro, algo assim. aquele primeiro enfrentamento diante da vida: a turminha foi dividida em grupos. taí uma situação cruel desse mundo. separar pessoas que estavam tão bem juntas em espaços diferentes. um grupinho ia ficar no pátio, cheio de brinquedos, piscina, sol, e o outro grupinho ficaria dentro da escolinha, janela com grades, salão entediante, escuro, silencioso. adivinha onde eu fiquei?


o pior não era ter ido para o lugar mais triste e mais chato da pequena escola. era terem me desligado dos meus, minha melhor amiguinha, meu ex-futuro-boy que ainda tinha dente de leite, enfim, eles estavam juntos, se divertindo, naquele pátio incrível cheio de coisas legais pra fazer, nunca mais se lembrariam que eu existia.

meu fundo do poço começou muito cedo. minha primeira decepção com a vida, principalmente com as tias do colégio. eu nunca vou esquecer que me impediram de estar no gira-gira com as crianças engraçadas para me deixarem ali, só espiando, junto com as crianças estranhas, como se fosse um castigo que eu levei sem ter aprontado nada.

era o mundo me impedindo de ser escolhida para um final feliz. de ser sorteada nos prêmios da vida, de ter um destino amigável. quem diria que aquela cena seria apenas uma mera prévia do que estaria por vir ao longo de toda a minha vida…

não ser escolhida para entrar no time de vôlei do colegial, não ser selecionada para entrar numa grande empresa, não ser correspondida por uma grande paixão… 

quem dera toda grande decepção fosse não passar uma tarde num pátio pequeno com os amiguinhos bobos do colégio. mas se isso fosse um modelo representativo de algum acontecimento maior, como uma maquete, um presságio ou só uma “palhinha”, eu diria que essa seleção feita pelas tias da escolinha não foi nada menos que uma preparação para a minha ruína ao saber que amigos meus ficaram amigos de outros amigos meus e se encontraram numa festa que eu não estava. ou que prepararam uma festa e não me convidaram. e estariam se fartando de risos, flertes, bebidas, danças, conversas e arrastões do qual eu não estaria participando.

não, isso não se sucedeu. não que eu saiba. mas só de imaginar a possibilidade disso acontecer me deixa em destroços. destroços morais de uma mulher insegura, que nada mais é que uma menina deslumbrada, apegada e insatisfeita atrás das grades de uma janela, reclamando amor e reclamando posses. mas eu me contento hoje com as frustrações, aprendi a viver com elas, sigo levando “nãos” do mundo porque distribuo muitos nãos por aí também.

e ao reconhecer meu lado possessivo, tão em contraponto com a minha independência, percebo também que esses nãos da vida também são grandes prêmios de experiência e formação de maturidade. reconheço que esses sentimentos pequenos não merecem vazão e que só com esses nãos conseguimos ir além, em querer mais, em encontrar novos caminhos, novas oportunidades, novas escolhas, novas e boas surpresas. a surpresa de descobrir o que realmente nos preenche, e não um mero pátio com alguns brinquedos.

Ilustrações: Alexandra Levasseur

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

Gregg Alexander - do New Radicals ao Oscar


De tempos em tempos eu procurava no Google alguma notícia de New Radicals. Uma banda que ficou famosa em 1999 e nunca mais deu as caras. Sim, eu já sabia que ela não voltaria mais, o próprio vocalista, Gregg Alexander, disse que nunca mais a banda faria um novo disco. Ok, mas eu continuei procurando notícias, dessa vez pelo Gregg, porque eu não podia acreditar que aquela fonte de talento e criatividade se esgotaria assim, sem mais nem menos.

domingo, fevereiro 01, 2015

A viagem sonora de José Gonzalez - a voz do folk



Esse cara faz com que eu perca o maior dos meus medos: o medo da solidão. Porque escutar o som de José Gonzalez é viajar para dentro de mim mesma. Benefícios psíquicos à parte, José Gonzalez é mesmo uma viagem sonora.

Sempre conheço preciosidades musicais no maior dos acasos. Com ele não foi diferente. Foi ao passar na fase do jogo Red Dead Redemption, lá num tardio 2012, onde tive a felicidade de escutar Far Away pela primeira vez, cavalgando nos campos de Perdido, próximo ao México. Tudo pelo XBOX, claro. Mas foi graças ao jogo que pude conhecer o som do argentino barbudo e narigudo criado na Suécia, que para mim não tocava um estilo único, apenas, mas um estilo musical do qual eu nunca tinha me identificado antes. Um som orgânico, de violão e voz limpos. Qual a magia em escutar José Gonzalez?



Ouvir seus dois primeiros álbuns, Venner e In Our Nature, é, em um primeiro momento, ouvir músicas que são iguais. Mesmo ritmo, mesma sensação. Embora nada se compare a Teardrop e Far Away (a verdadeira música Western), todas as canções são igualmente caras. Cada música é um respiro, uma pausa na velocidade do mundo.

A primeira impressão é um ruído acústico simplificado, cru. No entanto, tudo é proposital para uma estética de natureza rústica. Ouvir José Gonzalez não é apenas algo para silenciar nossa mente; ouvir José Gonzalez é ouvir o próprio silêncio.


Descobri então com José Gonzalez não só o meu amor pelo Western, mas o valor do folk. Mas o que seria a música folk? Não seria apenas uma letra melódica, nem uma referência meramente folclórica de determinada região; mas precisamente o blues à sua maneira; o uso dos instrumentos certos, a melancolia não necessariamente triste, mas a melancolia existente da vida real. Um violão, uma gaita, uma harmonia. O folk é a essência musical.

Junip

Não fosse suficiente a descoberta, encontrei Junip, o projeto paralelo de José Gonzalez com mais dois músicos, Tobias Winterkorn e Elias Araya. Com mais artifícios, Junip não deixa a desejar. A formação é de 1998, antes de Gonzalez encarar o voo solo em 2003, mas recentemente eles realizaram grandes êxitos dentro do folk-rock com os álbuns Fields e Junip. Senão melhores que o próprio trabalho de Gonzalez, a banda Junip foi o maior salto na carreira do sueco, que trouxe obras-primas como Line Of Fire, a música que anunciou a última temporada de Breaking Bad (talvez a música-essência da série mais premiada dos últimos tempos). Line Of Fire é a última prova. Não só representa a guerra interna do homem na letra em si, como também no ritmo acelerado dos violões e na voz crua e consoante de Gonzalez.


Put to the test
Would you step back from the line of fire?
Hold everything back
All emotions set aside it

Quando eu acreditava que José Gonzalez era apenas um músico para poucos ouvidos, eu me deparo com seu nome na trilha sonora de A Vida Secreta de Walter Mitty, de 2013, o que não poderia ser mais certeiro, tendo em vista o roteiro. Um homem comum, interpretado por Ben Stiller, com uma vida medíocre, que nunca tomou uma iniciativa relevante capaz de mudar a configuração de seu próprio mundo. Quem já não passou pela hora H? Aquele momento minutos antes de chutar o balde, de questionar a vida, de dar a volta por cima. E Mitty foi e fez o seu. Com José Gonzalez tocando ao fundo, por certo.



O retorno

E a pertinência de Gonzalez e seu violão também percorreu o mundo. Suas capas são caracterizadas por ilustrações minimalistas e seus clipes hoje traçam um perfil próprio, com rostos e caricaturas igualmente limpas, transparentes, expostas à sua realidade, sem resquícios, sem filtros.



Depois de ter me convencido de uma vez por todas no fim de 2014 que aquele seria o artista da minha pequena e criteriosa lista de artistas favoritos e atemporais, José Gonzalez retoma sua carreira solo no momento certo, trazendo Vestiges & Claws, que ainda não foi lançado mas já trouxe boas surpresas, como a oportuna Every Age e a gloriosa Leaf Off/The Cave, uma celebração musical que só sugere o quão tem fundamento essa ansiedade toda para o dia 17 de fevereiro, data de estreia do novo álbum. O folk chegou pra ficar - na voz dele.

Adendo:

Pensou que o argentino-sueco não teria nenhuma ligaçãozinha com o Brasil? Além de ter feito um show (quando era menos requisitado, claro) em 2008, parece que sua banda Junip se interessou muito pela cultura daqui, tanto que fez uma versão caprichosa e bem à sua maneira, do sonzinho malandro do Jorge do Ben Jor, porque um pouquinho de groove é preciso!