segunda-feira, junho 19, 2017

Ciclos

Depois de tanto tempo, volto a escrever.
Olho pra trás, vejo o que vivi nos últimos meses,
Sentimentos paradoxos que vivi,
E todas as reviravoltas que enfim chegaram.

Curioso tudo o que está acontecendo na minha vida agora
Pareço mesmo encerrar um ciclo de 2 anos

Quando penso na cidade que eu escolhi morar
E, por um segundo, penso em sair dela,
Me dou conta de que estou em Copacabana.

E o que é Copacabana?
Uma festa sinixtra onde eu entrei de penetra
E fui bem aceita
Percebo que, ainda que a cidade seja uníssona
Copacabana é única.

Depois da conversa com minha tia
Desço o elevador feliz,
Ele pára no terceiro andar
E dois cavalheiros bonitos entram, cumprimentam e puxam assunto comigo
Não basta o WTF inicial,
Uma série de WTFs se prosseguem.

Uma moradora de rua proclama a venda de um liquidificador por 50 reais
Enquanto ando, olho pra dentro do supermercado ao lado
O ator Guilherme Fontes no caixa
Na minha frente, um garoto toca violino
Uma farmácia que parece um supermercado
Conversas engraçadas no meio da rua
Mais moradores de rua
Lojas que fecham
Lojas que reabrem

Me dou conta de que o Rio é isso
Uma surpresa a cada esquina - ou mais de uma
E parece que ele não quer que eu vá embora

segunda-feira, maio 08, 2017

nunca esquecer

dos maus momentos
das turbulências
da tempestade
dos períodos ordinários da vida
das provas de fogo
esses são os momentos de plantio
os tempos que mais se aprende
os tempos que mais beneficiam
os tempos que mais curam

quarta-feira, março 29, 2017

Sobre pertencer

Antes de não querer ver, eu não enxergava. Eu estava completamente fora de razão, sem perceber. E quando me mostraram, eu não quis ver. E eu sei o momento que eu reneguei. Eu andava pela rua da praça, entrei no restaurante, pedi lomo e batata frita. A mulher mais velha me olhava. Eu saí, voltei a caminhar no frio, naquela cidade à qual eu acreditava não pertencer. Mas eu não enxergava que não era questão de pertencimento. Não era culpa da cidade. O problema estava dentro de mim. No meu estômago, que não aceitava aquela comida. Porque a falta de fome era oriunda da tristeza. E a minha tristeza não era oriunda daquele lugar. Não era oriunda do destino. Era oriunda da minha falta de percepção. Da falta de pertencimento a mim mesma. Quando eu aceitei ver, a angústia se foi e o alívio tomou conta do meu ser. Graças ao entendimento.

A vida me mostrou, com felicidade, que até mesmo quando a gente chega no fim da linha,
Ela pode te revirar do avesso e te surpreender.
Ela dá o tanto quanto ela tira
Só pra te fazer ver
Que você realmente não precisa de nada

Eu senti a desolação em Buenos Aires.
Eu senti a desolação em Santos.
Eu senti a desolação em São Paulo.
Eu senti a desolação em Barcelona.
Eu senti a desolação no Rio de Janeiro.

Eu senti o vazio nas grandes metrópoles.
E não vai ser o fato de mudar de cidade que ela vai desaparecer. Já vi os fatos.
O ambiente externo não pode modificar nada quando o problema é de fator interno.
E descobrir isso é o primeiro passo.


domingo, março 26, 2017

dos amores que não se morre


escuto wagner, com sua morte de amor de tristan e isolde
lembro a quem amei
vejo sua foto mais bonita
e nada dói
absolutamente.


contemplo o amor que ainda resiste
mas agora não vacila.


não morremos de amor.
amamos muito
amamos a quem não nos ama
amamos muitos.


e eu hei de ver a quem amo hoje
talvez não na sua foto mais bonita
mas a mais bonita que tenho
e terei o mais inexplicável prazer
de contemplá-lo
numa recordação de amor indelével
sem sentir mais nenhuma agonia.

sexta-feira, março 17, 2017

2017

No começo, 2017 não tinha dito a que veio.
De repente eu descobri.

2017
O ano que eu vou aprender na marra.
2017
O ano que eu vou ser feliz na marra.


quarta-feira, março 15, 2017

Das coisas ordinárias

Photo by Peter Marlow/Magnum

Eu tenho pensado tanto na última semana e eu cheguei a tantas conclusões lições importantes que se eu escrevesse tudo o que eu sinto hoje seria melhor escrever um livro ao invés desse post. Então vou aproveitar a inspiração para escrever só uma fração do que eu penso hoje.

A vida segue com seus altos e baixos. E muitas vezes, quando a gente vive coisas extraordinárias, pensamos que é ali que devemos ficar. Eu vivi momentos extraordinários. Mas a vida segue com suas reviravoltas. Não devemos focar no que é passageiro. Devemos dar atenção ao que é fixo em nossas vidas. Aceitar que as circunstâncias ordinárias voltam, e também preenchem nossas vidas. Precisamos dar significado. E acho que isso é tudo por hoje.

domingo, março 12, 2017

inglorius days

antes, vivendo um ziriguidum eterno
com o perfume da tua pele impregnado em mim
você fez um carnaval no meu corpo e na minha vida
depois, passando pelo deserto da dor

quarta-feira, março 08, 2017

Desolação

O dia amanheceu âmbar.
Parecia que tinha começado o inverno ou a guerra.
Dormi mal. Se é que eu posso dizer que tive uma noite de sono.

Aquela sensação de novo.

Um golpe profundo no peito. Uma perda de todo o sentido. Um vazio abissal.
Pensei que não seria mais assim, por já estar tão calejada.
Mas, afinal, era só mais uma trégua.
Não aguento mais tanta trégua na minha vida.

Desolação.
A palavra assola tal como o peso do sentimento.

terça-feira, janeiro 31, 2017

tem um inverno no meu verão


estava frenética. terrivelmente ansiosa. tremendo e chorando ao ver uma barata no meu apartamento. tanto que percebi o ápice da minha ansiedade. irritação. stress. estava colhendo ânsias atrás de ânsias. embarquei no verão querendo mais. é sempre o desejo. o calor, a festa, o sol, a rua. mas eu percebi então que eu precisava me recolher. eu precisava frear meus desejos, minhas ânsias, meu motor desenfreado. deixar de me pender em pessoas, engatar relações superficiais, arrancar meus vícios. precisava desacelerar meus sentimentos.

e o recolhimento é invernal. é um vento frio que bate no meu rosto enquanto estou pendurada na janela. é onde eu fico pensando na vida mas ignoro os rumos dela, e observo o que está fora, atrás do vidro. enquanto eu fico aqui, quieta, conservando meus sentimentos e renovando meus pensamentos. observando o movimento lá fora, calmo, sereno, tranquilo. observando o encanto do menino ao manusear meu leque azul. a disposição de um rapaz em recomeçar a vida e fazer planos. a boa vontade - mesmo sem tanta disposição - do senhor Aroldo, sem H, de me salvar de uma barata.

empatia. mais do que observar os outros, se colocar no lugar deles. sair de si, mesmo sem abrir a janela e a porta pra estar na rua aproveitando o verão. é se transportar de um jeito novo, mais consciente, mais maduro, mais encantador. é como meu post de julho passado que fala sobre contemplar, e respirar de novo. essa pausa não deve existir só de seis em seis meses. parar de querer. parar de procurar. tudo confunde e eu preciso descer do mundo e sentir a vida, na sua simplicidade e na sua essência.

quarta-feira, janeiro 25, 2017

Reviravolta

E um belo dia de fim de novembro uma coisa qualquer aconteceu na minha vida. Uma qualquer que me fez desapegar de algo que já não me fazia mais feliz e na qual eu me arrastei por mais de um ano. Por medo e puro comodismo. Essa coisa que eu poderia só chamar de mudança, me fez abrir os olhos novamente pra beleza do novo. Já estava tão próximo. Eu pressentia. Eu estava me preparando. Uma cisma. Uma blusa amarela. Uma noite qualquer. Uma coisa qualquer. Uma simples pequena coisa. Uma grande reviravolta.